Biogás X outros gases: Qual a diferença entre GLP, GN, GNV e Biometano?

Já parou pra pensar em qual a diferença entre GLP, GNV, Gás Natural ou Biometano? No cotidiano, além do biogás, utilizamos alguns tipos de combustíveis para exercer diferentes atividades, mas poucos sabem distinguir as diferenças entre eles. Por isso, preparamos um texto exclusivo sobre os tipos de gases presentes no mercado atualmente como identificar o biogás x outros gases. 

Gás Natural

O Gás Natural (GN) é um combustível que vem de matéria fóssil, ou seja, é encontrado na natureza em rochas porosas. Esse gás é o resultado da degradação dessa matéria ao longo do tempo.

O GN é composto por hidrocarbonetos leves, que permanecem em estado gasoso nas condições atmosféricas comuns e geralmente é distribuído por meio de redes de gás canalizado. Entre todos esses hidrocarbonetos, o predominante é o metano (CH4). 

O gás natural pode ser do tipo associado ou não associado, uma vez que é encontrado nos reservatórios com a presença de óleo ou não. Quando associado a presença de óleo, no processo será necessário separar o óleo antes da distribuição. Quando não associado ao óleo ou se encontra com pouca quantidade desse componente, é mais fácil de comercializar pois não haverá necessidade de separá-los.

Esse gás é amplamente utilizado como combustível em indústrias, automóveis, em substituição da gasolina ou álcool. Também pode ser usado em casas para o  aquecimento de chuveiro, funcionamento de  aquecedores e lavadoras. Uma curiosidade é que o  GN é considerado um “combustível de transição” pois, apesar de ser fóssil é uma fonte de energia mais limpa que outras fontes derivadas do petróleo, por exemplo.

GLP – Gás Liquefeito de Petróleo

O GLP, sigla para Gás Liquefeito de Petróleo, é o famoso gás de cozinha. O gás é formado por componentes mais pesados que o gás natural, com predominância do butano (C4H10) e do propano (C3H8), sendo inclusive, mais pesado que o ar.

Envasado e comercializado em botijões para uso residencial ou a granel, o GLP que tem como consumidor final o setor industrial e são mantidos na forma líquida sob alta pressão para facilitar o transporte.

O gás liquefeito de petróleo é produzido em refinarias ou em plantas de processamento de gás natural. Por ser uma das frações mais leves do petróleo, de queima limpa e com baixa emissão de poluentes, ele pode ser utilizado em locais fechados, como na cozinha ou em indústrias sensíveis a poluentes, como na fabricação de alimentos, vidros, entre outros. 

Por prover energia térmica, o biogás também pode ser utilizado para cocção, substituindo o GLP.

GNV – Gás Natural Veicular

O GNV é o Gás Natural Veicular, essa alternativa é utilizada  para abastecer carros e substituir a gasolina ou o álcool.

A alternativa vem crescendo no Brasil e no exterior, devido à sua disponibilidade e preço mais baixo em relação aos outros combustíveis automotivos. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o Brasil detém a segunda maior frota de veículos do mundo que utilizam o GNV. Cerca de  1,3 milhões de automóveis fazem parte da contagem, além de possuir uma tecnologia de ponta na produção de componentes para o GNV. 

É possível que os carros façam a conversão para que possam abastecer com o GNV, se tornando bicombustíveis. Desta forma, uma das vantagens será o custo por quilômetro rodado. Além disso, a alternativa também contribui na melhoria do ar nos centros urbanos, uma vez que possui baixa emissão de nitrogênio, dióxido de carbono e enxofre. O GNV, nesses casos, tem a queima considerada uma das mais limpas.

Para realizar a conversão é necessário instalar um “kit” no veículo, na qual só será autorizada se feita por empresa credenciada pela INMETRO – Instituto de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial. A autorização certificará a obtenção do Certificado de Segurança Veicular (CSV). Após este processo, será necessário  levar o veículo ao Detran para incluir a adaptação no documento do carro.

Biometano

O biometano é obtido no refinamento e processamento do biogás. Esse biogás é originado a partir da digestão anaeróbia (sem oxigênio) de matéria orgânica. Ao purificar o biogás, é retirado o gás sulfídrico, dióxido de carbono e a umidade, aumentando a pressão e comprimindo-o, resultando no gás natural/biometano. Desta forma, o biocombustível poderá ser utilizado em substituição aos combustíveis fósseis. 

O biometano também tem se popularizado pelo baixo custo e rendimento, e quem tem o “kit-gás” também poderá usá-lo tranquilamente, desde que atingidos os parâmetros mínimos de qualidade exigidos pela ANP.

As especificações do biometano no Brasil são regulamentadas pela resolução Resolução ANP nº 685/2017, que estabelece as regras para aprovação do controle da qualidade e a especificação do biometano oriundo de aterros sanitários e de estações de tratamento de esgoto destinado ao uso veicular e as instalações residenciais, industriais e comerciais, a ser comercializado em todo território nacional. E também a Resolução ANP n° 8/2015 aplicada ao biometano oriundo de produtos e resíduos orgânicos agrosilvopastoris e comerciais destinado ao uso veicular (GNV) e às instalações residenciais e comerciais.

Já o biogás, que é a matéria prima para se conseguir o biometano, não possui regulamentação quanto a qualidade, pois este parâmetro varia de acordo com a biomassa usada no sistema de biodigestão e por isso a qualidade varia muito.

biogás x outros gases

Carro movido a biometano abastecido pela UD Itaipu localizado no complexo da Itaipu Binacional.

Impactos dessas alternativas no meio ambiente

No que se refere ao gás natural, gás natural veicular, biometano e biogás, podemos dizer que são alternativas que vêm crescendo cada vez mais não só no Brasil, mas em todo o mundo.

Desenvolvidos em prol do meio ambiente, uma vez que são fontes de energia mais limpa que outras fontes comumente presentes no mercado atual. Pelo fato de serem mais limpas, emitem menos gases poluentes, conhecidos como GEE, os gases de efeito estufa.

Auxiliam também na diminuição do lixo gerado diariamente, dando um direcionamento adequado e útil. Como é o caso do biogás, e consequentemente do biometano, uma vez que oriundo de matérias orgânicas agrosilvopastoris que seriam descartadas ou até mesmo de aterros sanitários e tratamento de esgoto. Tudo em prol de  cidade mais limpa também.

Futuro e perspectiva de desenvolvimento desses gases no Brasil

O desenvolvimento do biometano, e do biogás caminham junto à transição energética que estamos presenciando. As fontes apresentam a necessidade de serem incentivadas para que haja uma diminuição na emissão mundial dos gases de efeito estufa (GEE), a fim de frear as mudanças climáticas, além impulsionar o barateamento das tecnologias de geração de energia por fontes renováveis e a diversificação das matrizes energéticas.

No território e mercado brasileiro, a produção de biogás e consequentemente do biometano, é favorável, assim como o gás natural também tem um grande potencial para se desenvolver, uma vez que houve um aumento da produção de gás no pré-sal e também na demanda por geração termelétrica. Desde que foi lançado, em meados de 2019, o “Novo Mercado de Gás”, o biometano e o gás natural estão em constante discussão e crescimento.

A tendência do mercado do biometano e gás natural no país é positiva e se potencializa cada vez mais. No entanto, ainda apresentam-se desafios quanto à transportabilidade do biometano e quanto à infraestrutura de processamento e transporte do gás natural.

Fonte: CIBiogás – Valquíria Oliveira – 23/06/2021

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