Eficiência energética: uma aliada da gestão pública

Com o início dos novos mandatos, prefeitos eleitos e reeleitos começam a colocar em prática o planejamento do novo ciclo de administração dos municípios brasileiros. Em meio à crise econômica, social e sanitária, em virtude da pandemia da covid-19, gestores públicos de todas as regiões do Brasil buscam alternativas para reduzir as despesas e organizar as finanças das prefeituras. E num momento de aperto orçamentário e queda de receitas, a gestão eficiente da energia elétrica ganha importância na administração pública. Segundo maior custo de uma prefeitura, perdendo apenas para a folha de pagamento dos servidores públicos, a redução do valor da conta de luz passou a ser uma questão de sobrevivência para muitos municípios. E neste ponto, a eficiência energética pode ser um grande aliado. Dependendo do tamanho e população do município, a implementação de medidas permanentes de eficiência energética no âmbito da administração municipal pode proporcionar uma redução de até 10% nas despesas globais.

Entre os pontos que podem ser atacados pelos gestores municipais estão a iluminação pública e os prédios públicos. Somente a iluminação representa, em média, cerca de 2/3 do valor da conta de energia de cada município. O restante do consumo é proveniente dos prédios públicos, principalmente os das áreas de educação e saúde, como creches, escolas, postos de saúde, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e hospitais. Departamentos municipais de água e esgoto, devido à utilização de motobombas elétricas, também podem impactar significativamente no consumo de energia de uma prefeitura.

O arquiteto Davi Miranda, integrante do Núcleo de Gestão Energética Municipal (Procel GEM), explica que medidas simples, e muitas vezes de baixo custo, podem resultar em grande economia de energia para a administração pública.

“Muitas medidas são de baixo custo ou custo zero, pois dependem de uma gestão adequada e atenta, de saber onde se gasta, como se gasta, se o gasto é necessário ou pode ser otimizado. Gosto de exemplos práticos e aqui vão dois: há um procedimento determinado de acender e apagar as luzes das instalações da prefeitura? Falo de escolas, postos de saúde, prédios administrativos… Se ninguém tem essa função ou não foi orientado sobre como deve fazê-la, é provável que as luzes estejam ficando acesas mais tempo que o necessário. O segundo exemplo: a prefeitura, ao adquirir equipamentos elétricos, tem alguma preocupação com a eficiência energética? Ou compra somente pelo menor preço? Saber comprar é pensar nos gastos durante a vida útil daquele equipamento; portanto, procure pelo Selo Procel e garanta a melhor eficiência”, explica Davi Miranda.

Ele acrescenta que, em um cenário de pandemia, com muitas atividades presenciais sendo realizadas a distância e com funcionários em teletrabalho, esse mapeamento é ainda mais importante, com o objetivo de evitar que estruturas que estão fechadas ou com baixa utilização continuem tendo um consumo de energia semelhante ao período pré-pandemia. O arquiteto também recomenda que o administrador público, principalmente em início de gestão, deva colocar entre as prioridades o planejamento do consumo energético, já que dessa forma a prefeitura terá conhecimento das unidades com maior potencial de redução de consumo, já que dessa forma ele poderá elaborar projetos e implementar com recursos próprios ou com fontes externas.

“É muito importante estar atento às chamadas públicas de projetos e também ao fato de que os projetos precisam ser bem elaborados. Nesse caso, podemos falar em projetos de iluminação pública, de iluminação interna dos prédios, de condicionamento de ar, de retrofit de edificações, de sistemas de saneamento, entre outros”, completa.

ILUMINAÇÃO PÚBLICA DEVE TER ATENÇÃO ESPECIAL

Maior gasto energético de uma prefeitura, o sistema de iluminação pública deve merecer toda a atenção dos administradores públicos. Responsável por cerca de 70% do valor da conta de luz, uma gestão eficiente desse ativo tem um potencial de aliviar o caixa das prefeituras, principalmente num momento de baixa arrecadação por conta dos impactos econômicos da pandemia da covid-19.

Desde 2016, por meio de uma resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a responsabilidade pela gestão dos ativos de iluminação pública foi transferida das concessionárias de energia para os municípios. Desde então, todo o investimento em expansão, modernização e manutenção da iluminação passou a ser feito exclusivamente pelas prefeituras, o que representou um impacto considerável no orçamento municipal. O arquiteto do Procel cita que a substituição das lâmpadas antigas por luminárias LED é a melhor alternativa, já que elas apresentam condições economicamente viáveis com uma redução de consumo média de 50% em comparação com tecnologias mais antigas.

“Mais um detalhe importante: não é mais recomendado fazer uma simples substituição de lâmpadas usando suas potências como referência, como se fazia anteriormente. Como há uma troca completa de luminária, e não somente de lâmpada, é necessário fazer um novo projeto luminotécnico considerando as características da nova luminária LED a ser instalada, de forma que a iluminação resultante atenda ao que está previsto em norma para a via”, recomenda.

Outro ponto que deve ser levado em consideração é a capacitação técnica dos profissionais que irão atuar diretamente com a iluminação pública ou implementação de medidas de eficiência energética. O treinamento dos servidores públicos e a atualização dos dados referentes aos pontos de energia devem estar entre as ações iniciais que o gestor público deve tomar para tornar o sistema mais eficiente.

Segundo Miranda, além da iluminação pública, os maiores consumidores dentro de uma prefeitura são os edifícios públicos, principalmente nas áreas de educação e saúde. Ele orienta que deve-se buscar a eficiência nos sistemas de iluminação e condicionamento de ar desses edifícios, além de soluções arquitetônicas que melhorem seu desempenho energético operacional da edificação. Nas cidades em que as empresas de saneamento pertencem ao município, também é possível desenvolver ações para a redução do consumo de energia elétrica nos sistemas de bombeamento e tratamento de água. “O sistema de saneamento, com suas bombas, também é um grande consumidor, que normalmente tem conta separada do restante da prefeitura, e deve ser estudado ”, afirma.

NOVA METODOLOGIA DO PLAMGE SERÁ APRESENTADA EM 2021

A realização de um diagnóstico energético pode contribuir para uma economia de cerca de 1/3 dos gastos de energia de uma prefeitura. Desenvolvido pelo Núcleo de Gestão Energética Municipal (Procel GEM), o PLAMGE (Plano Municipal de Gestão da Energia Elétrica) fornece aos agentes da administração pública uma série de treinamentos e metodologias para que o uso da energia elétrica seja feito de forma eficiente nos equipamentos públicos. O PLAMGE funciona como uma ferramenta de suporte às prefeituras, que possibilita o conhecimento, gerenciamento, planejamento e controle, por parte da gestão municipal, do uso da energia elétrica, proporcionando a redução do consumo por meio da identificação das oportunidades em todas as unidades consumidoras de responsabilidade da prefeitura.

Para 2021 está prevista a atualização da metodologia do PLAMGE, que passará a se chamar PLANGE (Plano de Gestão de Energia Elétrica) e irá atuar em todas as esferas do poder público (municipal, estadual e federal).

“As principais novidades da metodologia de PLANGE dizem respeito à abrangência, já que irá atuar em todas as esferas do poder público. Também haverá a inclusão de conceitos da Norma ISO 50.001 [Gestão da Energia] que sejam viáveis para o público do PLANGE, além da inclusão de conceitos de Desempenho Energético Operacional, para que as edificações sejam avaliadas e melhoradas em sua operação, e não somente em seus equipamentos. A nova metodologia também incluirá a análise de oportunidades de geração distribuída pelo poder público, já que essa é uma realidade que pode beneficiá-los, além da inclusão do setor de saneamento entre os que devem ser avaliados pelo PLANGE”, revela Davi Miranda.

O arquiteto conclui que o novo PLANGE, além de contribuir para a realização de um diagnóstico e planejamento energético do município, também irá contribuir para a formação de uma equipe capacitada para gerenciar seu consumo de energia elétrica de forma eficiente. O especialista lembra que o novo PLANGE possui potencial de ser um grande aliado no apoio à área de energia para as prefeituras que, em sua maioria, ainda carecem de recursos financeiros e profissionais capacitados para atuar diretamente com ações de eficiência energética.

Fonte: PROCEL Info – Tiago Reis – 11/01/2021

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