Plataforma online gratuita permite diagnóstico energético de edificações em uso

Entender o consumo de energia e até que ponto há eficiência em sua utilização é uma etapa essencial para a gestão desse recurso nas edificações. Para muitas empresas, porém, fazer essa análise de forma eficaz pode ser um desafio, especialmente em prédios já em operação, uma vez que não há um programa oficial de gerenciamento de energia para esses casos. Visando atender a essa necessidade, o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) vem desenvolvendo, desde 2013, benchmarks de consumo de energia para edifícios em operação. Até o momento, o projeto já estabeleceu metodologias de consumo para agências bancárias, edifícios corporativos e edifícios públicos. Atualmente, a entidade se dedica à elaboração de indicadores de desempenho energético para outras 14 tipologias de edifícios em uso, por meio de um convênio de cooperação com a Eletrobras, no âmbito do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel)

As informações sobre as categorias de edificações já finalizadas pelo projeto foram disponibilizadas na plataforma online de Desempenho Energético Operacional (DEO), que oferece um diagnóstico de acordo com cada caso. A iniciativa inédita permitiu uma avaliação precisa, especialmente no caso das instituições bancárias, que tinham dificuldade em entender o consumo de cada tipo de agência. Após o resultado positivo dessa primeira etapa, o CBCS vem se dedicando a recolher informações sobre outras tipologias de edifícios. Assim, o projeto pretende disponibilizar uma base de dados que possa servir de referência para grande parte das edificações em operação no país.

Para reunir informações para o projeto-piloto para agências bancárias, o convênio contou com a colaboração de instituições financeiras como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. Os bancos forneceram dados de suas unidades, como o consumo de energia por mês e a localização de cada agência. A partir dessas informações, a equipe do CBCS conseguiu desenvolver modelos de simulação para os tipos de agências bancárias típicas, como as que estão instaladas na rua, em prédios ou shoppings. Foi considerada ainda a região do país onde cada unidade se encontra, já que os diferentes climas presentes no território nacional também impactam no consumo de energia, causando variações de um lugar para outro, conforme explica o coordenador da Equipe de Diagnósticos do convênio pelo CBCS, Arthur Cursino.

“Nós simulamos o que seria o consumo de energia desses arquétipos de agências bancárias e, no final, nós saímos com o resultado que, em função do clima, ou seja, de onde essa agência está construída, seja em Salvador ou Porto Alegre, eu consigo dizer, mesmo um clima sendo muito diferente do outro, o quanto essa agência é ou não eficiente no consumo de energia”, afirma.

Segundo Cursino, as informações sobre as unidades bancárias estão sendo atualizadas. A adequação, que também faz parte das ações previstas no convênio com o Procel, visa refletir melhor o panorama atual do setor, uma vez que em 2015, quando a primeira versão foi lançada, algumas tecnologias não eram utilizadas nas agências. Outra alteração é a inclusão de terminais de autoatendimento, que aumentaram consideravelmente desde então. A intenção é que a ferramenta possa se aproximar cada vez mais das práticas das instituições financeiras, de modo a fornecer uma avaliação energética mais adequada.

“Estamos atualizando esses equipamentos novos, principalmente o LED, que agora é muito comum e em 2015 não era, e também outras variáveis que impactam o consumo e, naquela ocasião, nós não consideramos. Por exemplo, a visão que está finalizada agora, mas que ainda não foi publicada, além da localidade do edifício, considera também o número de caixas eletrônicos, que têm um consumo [de energia] alto que não considerávamos antes. Nós notamos que, se a agência tem quatro ou se ela tem dez, tem um impacto considerável no consumo. E agora o gerente vai poder colocar o número de caixas eletrônicos que ele tem”, ressalta o representante do CBCS, afirmando que ainda não há prazo para que a nova atualização seja disponibilizada na plataforma.

A ferramenta, que é aberta e gratuita, permite calcular os indicadores de consumo de energia de cada unidade, informando se os edifícios podem ser considerados eficientes, se estão na média ou são ineficientes. Dessa forma é possível definir, de forma mais eficaz, as necessidades de adequação de cada unidade, onde é mais necessário investir e se há necessidade de realizar o retrofit. De acordo com o CBCS, após a disponibilização da plataforma, alguns bancos informaram que utilizaram o recurso para auxiliar na redução de seus indicadores de consumo de energia, meta que precisa ser atingida anualmente, conforme previsto nos relatórios de sustentabilidade dessas instituições.

Banco utilizou a plataforma para ajustar seus indicadores de consumo
Uma das instituições financeiras que utilizaram a ferramenta para esse fim foi o Banco do Brasil. De acordo com o assessor da Diretoria de Suprimentos, Infraestrutura e Patrimônio do banco, Mário Gonçalves, a empresa utiliza indicadores de consumo eficiente de energia desde 2011, inicialmente utilizando um valor padrão para todas as regiões do país, e depois adotando indicadores regionais. Em 2014, o Banco do Brasil, junto com outras instituições, participou do projeto do CBCS fornecendo as informações para auxiliar na definição de uma curva de carga regionalizada, que pudesse fornecer resultados mais eficientes.

Com a disponibilização da plataforma pelo CBCS, o Banco do Brasil fez ajustes no perfil de consumo de suas agências. A readequação das unidades de acordo com a região em que se encontram proporcionou um aumento da pontuação de desempenho, impactando no recebimento de valores referentes à participação nos lucros da empresa. Atualmente, o banco está revisando seus parâmetros, mudando a avaliação mensal de fixa para variável, e implantando indicadores adequados aos diversos tipos de agências. O Banco continua utilizando a plataforma DEO para orientar suas ações.

“A parceria com o CBCS foi de fundamental importância para a consolidação de nossos indicadores. Consideramos que o trabalho resultante apresentado pelo CBCS tem muito a contribuir para o aprimoramento da gestão de energia”, afirma Mário Gonçalves.

Outras tipologias de edifícios
O convênio entre o CBCS e o Procel prevê ainda atender mais 14 tipos de edificações, como hotéis de pequeno a grande porte, shoppings centers, supermercados, comércios de diversos portes, restaurantes, escolas de ensino infantil a médio, universidades e instituições de ensino técnico, hospitais, postos de saúde e de assistência social, além de Centros de Processamento de Dados. A etapa de recolhimento de dados está em andamento e as informações vão servir de parâmetro para a criação de modelos para nortear o gerenciamento do consumo de energia desses locais. O trabalho de coleta de dados deverá ser concluído até o final deste ano e posteriormente, vai resultar em plataformas de consulta como as que foram produzidas para os outros tipos de edifícios.

Assim como na primeira etapa do projeto, O CBCS espera contar com a contribuição de parceiros, que possam fornecer seus dados de consumo. Arthur Cursino afirma que a instituição está disponível para apresentar o projeto e tirar as dúvidas dos interessados e destaca que os dados fornecidos permanecerão em sigilo. O objetivo da entidade, segundo ele, é que o maior número de parceiros envie informações para análise. Qualquer tipologia de edifício citado pode contribuir, bastando manifestar interesse por meio do endereço eletrônico secretaria@cbcs.org.br . Como no caso das agências bancárias, o Conselho espera que, no futuro, os participantes e outras empresas e instituições possam se beneficiar da plataforma.

“Energia é um tema que é muito falado, mas é bastante complexo. E, normalmente, você tem equipes multidisciplinares que vão decidir quais são os indicadores de energia em vários tipos comerciais de edifícios. E é muito difícil essas equipes entenderem o que é um índice razoável frente ao mercado, frente aos concorrentes. Então, digamos que eu tenho um hotel na [Avenida] Paulista, eu não tenho a mínima ideia se esse hotel é mais ou menos eficiente em relação à média do mercado. Não existe essa informação. Hoje você não encontra em lugar nenhum do Brasil. E essa plataforma é um primeiro caminho para mostrar e para ajudar esses gestores a comparar esse consumo com uma fonte oficial, que até então não existe”, destaca Arthur Cursino.

Fonte: Procel Info – Débora Anibolete – 23/04/2020

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